Zimbabué na prática, tudo que você precisa saber para visitar

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Como quando fui planejar minha viagem para o Zimbabué achei pouca informação, resolvi juntar algumas dicas e passar adiante para quem planeja visitar este interessante país africano. Este post sobre o Zimbabué contém as minhas impressões nos 4 dias que passei no país, além das informações que encontrei em guias e na internet.

Como minha visita se restringiu a região de Victoria Falls, este post não tem a pretensão de avaliar o país todo e nem deve ser interpretado como tal. Ele se propõe a ser uma reunião de dicas em português e um caminho para o planejamento da viagem. 😉

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Zimbabué na Prática

Burocracia e Visto de Entrada

 

Como a grande maioria dos países, o Zimbabué também é tomado por burocracia. O primeiro passo é se dirigir ao guichê de imigração na fronteira do país. Como chegamos de carro, vindos de Botsuana, fizemos esta etapa direto na fronteira. Entramos pelo posto em Kasungula, próximo a Kasane, em Botsuana.

Zimbabué na prática border
Zimbabwe Border

Para entrar no país, precisa-se preencher um formulário dando vários dados pessoais. Também é necessário informar onde vai se hospedar, quantos dias e o endereço da hospedagem. Passa-se num guichê, onde se entrega a papelada. Ali é preciso pagar para pegar o visto.

O visto custa US$ 30,00 uma entrada e US$ 45,00 dupla entrada.

Carro

 

Para quem entra de carro, como foi o nosso caso, é necessário ainda pagar a entrada do carro. Nesta caso, deve-se seguir para outro guichê, onde paga-se uma taxa e recebe-se a autorização de entrada. A taxa de entrada do carro custou US$ 46,00.

IMPORTANTE!

Não deve se esquecer de avisar a locadora que vai se atravessar a fronteira e pegar os papéis de autorização! Sem estes papéis dados na locadora, não se consegue a liberação de saída de Botsuana e para a entrada do mesmo no Zimbabué.

Seguro

Ainda é necessário ter um seguro local para o carro, oferecido por empresas locais. E claro, tem vários vendedores ali mesmo no posto de alfândega e que ficam em cima dos clientes feito urubus tentando vender o seu seguro enquanto ainda se está no guichê pagando a taxa. Pensa numa situação desagradável.

O que se ouve são propostas de US$ 10,00 a US$ 50,00. Claro que as tarifas baixas são pura mutreta e não servem para nada além de enganar o turista (ou não). Como não tínhamos muita informação e fomos pegos de surpresa, seguimos a recomendação do funcionário que nos atendeu. Acabamos pegamos o seguro oferecido pelo moço que pediu US$ 50,00.

Isto sem saber se ele também estava levando parte do dinheiro ou não… Este é o sentimento ao passar por estes postos: muita morosidade, pouca simpatia, descaso com o turista, ambiente sujo e decrépito, e sentimento de impotência.

Tivemos sorte de ir na baixa temporada e não pegamos fila. Entretanto li casos de longas esperas (3-4 horas) para conseguir visto e morosidade para ganhar propina. Deixo claro que isto não aconteceu conosco.

Li também que pode haver uma fila enorme de caminhões que esperam dias para conseguir permissão de entrada. A instrução é que carros devem passar ao lado desta fila e seguir para o posto. A fila de caminhões era pequena no posto que passamos.

Dinheiro

 

O país não tem moeda própria. Depois de uma mega hiperinflação, o governo resolveu extinguir a moeda que se chamava dólar zimbabuano e adotou o dólar americano como moeda corrente.

O dólar zimbabuano foi a moeda nacional do Zimbabué, entre os anos de 1980 e 2009 e seu código ZWD era abreviado como Z$. Como uma das moedas mais desvalorizadas do mundo, em julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabuanos, que apesar do elevado valor de face, era capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. Em janeiro de 2009, foram emitidas notas com valor nominal de 100 trilhões de dólares zimbabuanos.

O dólar zimbabuano foi suspenso oficialmente pelo governo em 2009, devido à hiperinflação, sendo substituído oficialmente pelo Dólar dos Estados Unidos (US$). Contudo, usualmente são adotados o Rand Sul-Africano (R), o Pula do Botsuana (P), a Libra Esterlina (£) e o Euro (€).

Muitos vendedores de souvenires nas ruas oferecem notas de um trilhão e dez trilhões de dólares zimbabuanos. Desta forma, pode-se levar uma nota como lembrança e se sentir trilionário.

Compras na prática

Tudo é vendido em dólares americanos. Entretanto, quando recebe-se a conta, muitos estabelecimentos já trazem na nota o valor em dólar, em pula (moeda de Botsuana), em rands (moeda da África do Sul) e em euros. Assim sabe-se na hora o valor com que moeda deseja-se pagar.

Várias moedas são aceitas nas transações. Inclusive, máquinas para saque de dinheiro (ATM) em várias moedas são encontradas nas maiores cidades.

Cartões de Crédito

Cartões de crédito não são muito aceitos e nos poucos lugares que se aceitam, a preferência é por Visa.

Valores em geral

 

Os valores em geral são elevados quando comparado com o mesmo serviço oferecido nos países vizinhos. Passeios, hospedagens, restaurantes, entradas e souvenieres tem um preço maior que em Botsuana e na Zâmbia.

Um safári noturno, por exemplo, que custa em torno de US$ 20-25,00 no Kruger Park, na África do Sul, custa US$ 120,00 em Victoria Falls.

Passeios como andar nas costas de um elefante custa US$ 140,00. O Rafting custa US$ 140,00. O Bungee Jump custa em torno de US$ 135,00. Os voos de helicóptero sobre as cataratas Victoria a partir de US$ 140,00.

Todos estes preços são tabelados e em qualquer agência que se for, o preço é o mesmo.

Explico todas estas opções com mais detalhes no post Victoria Falls: opções de passeios.

Hospedagem

 

Achar hospedagem em Victoria Falls não foi tarefa das mais fáceis. Poucos sites de reservas de hotéis oferecem hospedagens no país. Somente depois de muito procurar encontrei algumas listas de hospedagem no site de turismo da cidade.

Escrevi para vários lodges e hotéis, e recebi poucas respostas de retorno. E dos poucos que me retornaram, quase todos estavam lotados com quase 2 meses de antecedência. Isto me pareceu estranho, sendo baixa temporada e vendo pouca movimentação na cidade ao estar lá.

A cidade de Victoria Falls foi construída para o turismo e tem várias opções de hospedagem. Estas opções vão da mais luxuosa, como o The Kingdom (um hotel 4 estrelas), passando por hotéis médios e vários lodges. Os valores das hospedagens são acima da média esperada para a África.

A minha reserva foi efetuada no Mandebele Lodge. Não é bem central e é necessário usar o carro para os deslocamentos. Contudo oferece um quarto confortável, com ar-condicionado, limpo, chuveiro bom, café da manhã gostoso.

Oferece WiFi gratuito, que não estava funcionando durante o período que ficamos lá. Diária em torno de €70, com café da manhã.

Zimbabué na prática Zimbabue Mandebele Lodge
Zimbabue Mandebele Lodge




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Dirigindo no Zimbabué

 

Mão Inglesa

A direção é inglesa, ou seja, o motorista senta na direita e guia pela faixa na esquerda da rua. Exatamente o contrário da direção no Brasil. Isto exige atenção redobrada do cérebro acostumado a dirigir nas Américas e Europa.

Leis de trânsito

As leis de trânsito são basicamente as mesmas das nossas no Brasil. A atenção maior deve ser nas estradas, onde se encontram inúmeras barreiras policiais. Li que quem atravessa o país encontra inúmeras delas ao longo das estradas.

Barreiras Policiais

Logo que entramos no país, tivemos nossa primeira experiência com uma destas barreiras policiais. Nem 300 metros adiante da fronteira havia uma barreira com 6 jovens policiais sentados embaixo de uma árvore ao lado da estrada esperando as vítimas.

Um, em pé na rua, manda o carro parar. Pede os documentos do motorista, a autorização de entrada no país e averigua o carro. Tem-se a impressão que ele vai arrumar qualquer motivo para multar (ou extorquir propina, como li).

No nosso caso, viram que meus sogros estavam sem cinto de segurança no banco de trás, e começaram ameaçar. Não pagamos propina em hipótese nenhuma, por princípios, e sempre nos deixamos a disposição para multar, pedindo o recibo.

Depois de um pouco de enrolação, surgiu um bloco de multas, que um policial nem sabia preencher. Nos deram uma multa de US$ 10,00 pela falta de uso do cinto de segurança e o recibo pedido, e seguimos viagem.

 

Zimbabué na prática drive2

 

Zimbabué na prática

Pela cidade de Victoria Falls

 

Victoria Falls é pequena, com poucos restaurantes, algumas lojas e supermercados. Andando pela rua principal, a Livingstone Way, se vê alguns pequenos conjuntos comerciais, muitos com lojas fechadas. O comércio fecha muito cedo, em torno de 17:00, e a cidade fica vazia após este horário.

A cidade conta com um hotel (The Kingdom) que tem um cassino (sempre vazio nas vezes que visitamos) e algumas opções de restaurantes. Uma destas opções é a Spur, rede sul-africana que serve bons lanches.

Vi ainda dois supermercados, que não visitamos, e muitas agências vendendo passeios. A cidade é muito pequena, tirando a rua principal, não tem nenhum outro lugar para se ir.

Zimbabué na prática The Kingdom casino
The Kingdom Casino
Impressões pessoais

A cidade de Victoria Falls, do lado das cataratas no Zimbábue, parece largada a própria sorte e em decadência. Não é muita cidade cuidada, como era de se esperar, com pouquíssimas opções de entretenimento.

Vê-se muito emprego informal e gente desocupada pelas ruas. Caminhar pelo centro a pé é ter sempre alguém ao teu lado oferecendo qualquer tipo de coisa, seja artefatos manuais de madeira, passeios, antigas notas de dólares zimbabuanos, bijuterias, etc. Geralmente, os vendedores desistem logo após um “não, obrigado”, mas a fila de vendedores é tão grande que a repetição se torna irritante.

Os preços são maiores que em Livingstone, na Zâmbia, sua vizinha. E tem-se a impressão que turista que chega na cidade é somente uma fonte de renda. Não se tem o cuidado de agradar ou oferecer um serviço a altura dos preços cobrados. Restaurantes e lojas tem preço de Europa, mas a qualidade oferecida é muito inferior.

Não espere simpatia dos funcionários da alfândega, seja indo ou voltando de Botsuana, como indo e voltando da Zâmbia. Apesar de ser um lugar turístico, prepare-se para ser observado como diferente o tempo todo. O que inacreditavelmente não acontece em Livingstone.

 

+ LIVINGSTONE, NA ZÂMBIA

O que eu faria de diferente

 

Como minha viagem era iniciada e baseada em Botsuana, se fosse hoje eu não ficaria em Victoria Falls. A cidade definitivamente não me agradou muito. Eu faria somente um passeio bate-volta de um dia saindo de Kasane, em Botsuana.

Como Kasane fica a 80 km de distância, eu faria somente um bate-volta para conhecer as cataratas. Muitas empresas de turismo oferecem este passeio. Como também é possível fazer passeios de um dia para o Chobe saindo de Victoria Falls.

Kasane é a porta de entrada para o Chobe National Park.

Eventualmente ficaria em Livingstone, na Zâmbia, se quisesse ver um pouco mais da região.
O lado Zim (Zimbábue) das cataratas pode ser facilmente conhecido em 1-2 horas, tempo quase igual (ou pouco mais) para conhecer o lado Zam (Zâmbia) das cataratas.

O maior tempo é perdido em burocracia e atravessando a ponte entre os 2 países. Mais detalhes eu dou no post Victoria Falls.

Vale a pena comprar antecipadamente:

4 Comentários
  1. Carmem Diz

    Muito bom!
    Informações claras e úteis.

  2. Carina Diz

    Obrigada, Carmem! Quando decidirem passear por lám é só pedir mais dicas que passo pra vcs com prazer. Super beijo!

  3. PêEsse Diz

    Por onde você reservou esse seu hotel? Acho que terei de dormir por lá porque quero conhecer um parque nacional em cada país (Botsuana, Zimbabué e Zâmbia). Estarei em self drive, 4X4 (por causa dos parques), com crianças (que já viveram experiência semelhante na África do Sul e na Namíbia). Alguma recomendação?

    1. Carina Diz

      Olá, PêEsse!
      Eu procurei pelo Booking e procurando por palavras chaves no Google mesmo. Não me hospedei na Zâmbia, mas fiz isto nos outros países.
      Se vc vai estar num 4×4, tente ficar denttro dos parques mesmo. O Chobe, por exemplo, só aceita quem tem carros 4×4.
      Uma ótima viagem pra vcs!

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