Viaje na viagem com Nick Santiago

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Ele diz que começou a viajar tarde, mas no final dos anos 70, o Nick Santiago já estava desbravando o mundo sem internet, sem falar inglês e indo com a cara e coragem, seguindo seu faro. Como todo viajante que aprecia viagens independente, ele passou por vários perrengues, acertou muitas outras vezes e por essa paixão chamada “pé na estrada“, acabou conhecendo seu parceiro de vida, o Ricardo Freire (o blogueiro de viagem mais influente do Brasil).

Nick Santiago do Viaje na Viagem
Nick Santiago em Havana (2002)

Como viajante, sua grande curtição é poder alugar apartamentos e brincar de ser local. Já visitou o Brasil de cabo a rabo e continua desbravando o resto do mundo de forma tranquila e sem pressa, pois viajar para ele deve ser assim … uma experiência e não somente uma passadinha do tipo “vi, tirei foto, está visto!“.

Se aposentou do mundo corporativo, e hoje é sócio do grande blog Viaje na Viagem …

Nick Santiago do Viaje na Viagem
Curtindo o Rio …

Uma honra ter o Nick aqui com a gente no Viajoteca, na sessão “Viajando com quem Viaja“, agora embarquem nessa deliciosa entrevista e conheçam um pouquinho mais desse querido viajante!

Sabemos que assim como a gente, você adora viajar, mas gostaríamos de saber, como nasceu o viajante em você?! Teve algum momento que te deu aquele clique ou alguma pessoa que te inspirou? Conta pra gente …

Eu comecei a viajar tarde, quase com 30 anos, no finzinho dos anos 70. Nessa época eu passei um réveillon muito ruim no Rio de Janeiro por causa das companhias. De repente eu me vi andando na praia ao amanhecer e, ao ver o sol nascer, prometi pra mim mesmo que eu não ia mais depender dos outros para viajar. Que eu ia imaginar minhas viagens e fazer acontecer. Até então minha única viagem ao exterior tinha sido um pacote para a Argentina e eu não tinha a menor noção de como organizar uma viagem por conta própria. Mas no ano seguinte eu já viajei para Nova York e San Francisco com a cara e a coragem, com uma passagem na mão, sem reserva de hotel (só uma dica, de um amigo americano), sem falar inglês. E deu tudo certo. (O hotel de Nova York se chamava Earl, era quase um motel, e anos depois virou o charmoso Washington Square Hotel.) Me pus à prova, passei perrengue mas voltei apaixonado pela ideia de viajar. Daí em diante, inspirado por aquele nascer do sol, não parei mais.

Você viaja independentemente há muito tempo, com a massificação do turismo que estamos vendo atualmente, você acha que mudou seu estilo de viajar? Isso é bom ou ruim?

Eu acho positivo o fato de mais pessoas poderem viajar. Sair de viagem hoje é muito mais fácil do que quando eu comecei. Também ficou mais fácil fugir dos lugares massificados: o que mais mudou no meu jeito de viajar foi poder alugar apartamentos. Curto demais escolher um apartamento transado onde eu possa brincar de morar na cidade. E isso é o oposto da massificação: é a personalização da hospedagem. Então ao mesmo tempo em que os lugares estão cheios de turistas, é possível encontrar por onde escapar.

Com dolar e euro nas alturas, os brasileiros estão querendo “redescobrir” o Brasil. Dos lugares que já visitou n nossa terrinha, quais foram os 3 destinos que mais te surpreenderam positivamente? Porque?

No Brasil, fora de São Paulo os lugares de que mais gosto são o Rio de Janeiro e Salvador. O Rio porque está sempre se renovando; apesar de todas as mazelas, a cidade se reinventa, oferece novidades, cria oportunidades para você ser feliz — e agora, com as obras da Olimpíada, vai ficar ainda melhor. E Salvador pelo exotismo; a gente tem a sensação de ser estrangeiro no próprio país.

No quesito “lugares que me surpreenderam”, eu listaria Trancoso, que me conquistou no fim dos anos 80, antes de ser chique, e que é o vilarejo de praia mais encantador do Brasil; a região da Rota Ecológica em Alagoas, que o Riq meio que descobriu no início dos anos 2000 e ajudou a divulgar para um público bacana, e Belém, que visitei num Círio em 2012 e é com certeza a capital brasileira mais subestimada.

Nick Santiago do Viaje na Viagem
São Miguel dos Milagres (2015)

Praias ou Montanhas? Quais os melhores destinos que você recomenda nesse quesito?

Tenho pouca experiência em montanha. Ano retrasado estivemos rapidamente na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, e nos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul. São regiões belíssimas, mas não tenho muito parâmetro para comparar. Em matéria de praia, as de Alagoas são para mim as mais bonitas do Brasil, por causa da cor do mar e das águas calmas. No exterior, sou fã de St.-Barth, onde tudo tudo tudo é charmoso — e, ao contrário do que se pode pensar, sem afetação. Voltaria lá todos os anos, se pudesse 🙂 Também não posso me esquecer das viagens às Maldivas e a Bora Bora, que criam problema para você gostar de qualquer praia depois delas.

Nick Santiago do Viaje na Viagem
Miami (2015)

Você é casado com o blogueiro de viagem mais influente do Brasil, como viajante, é difícil acompanhar o Ricardo Freire? Além das viagens à trabalho, vocês conseguem viajar 100% de férias?

Não acompanho o Riq em todas as viagens. Algumas poucas porque ele faz a convite e outras porque ele sabe que os destinos não são a minha cara. Acaba que eu acompanho só nas viagens que eu vou gostar mais: ele conhece os meus gostos e não me põe em roubada. Acontece também de ele ir na frente para fazer o trabalho mais pesado e, quando eu chego, ele já está com a cidade resolvida e eu só ajudo a testar o filé. Isso aconteceu recentemente no Panamá e em Lima, por exemplo. A gente consegue se divertir viajando, porém não dá para dizer que nenhuma dessas viagens sejam de férias. Pela natureza do trabalho do Riq, ele está sempre fazendo campo. Hà quatro anos tiramos uma semana semana offline em St.-Barth no carnaval. Esse ano a gente tem planos de pelo menos uma semana offline no segundo semestre.

É provável que vocês sejam reconhecidos em quase todas as viagens que fazem pelo Brasil e possivelmente pelo mundo. Como vocês lidam com a fama durante as viagens? Ela chega a atrapalhar a viagem de vocês?




É uma constante isso. Eu acho divertido quando reconhecem o Riq; de vez em quando até sabem quem eu sou (“Você é o Nick, né?”). Mas o Riq fica muito tímido e vermelho; às vezes eu tenho receio de ele passar uma imagem antipática, mas é só porque ele não sabe lidar com o reconhecimento. Mas isso não chega a atrapalhar, de jeito nenhum. O que acontece às vezes é que o Riq precisa passar incógnito por um lugar (porque está com o tempo muito cronometrado) e não posta nada, por exemplo, no instagram. Só que, se eu postar, muita gente vai descobrir que ele está na cidade. Isso já aconteceu algumas vezes…

Riq e Nick Viaje na Viagem
Veneza (2001)

Já passaram por alguma saia justa pelo mundo viajando como casal de parceiros do mesmo sexo? Alguma recomendação para a industria do turismo nesse sentido?

Estamos juntos há 30 anos, viajamos juntos há 28 anos, e nunca tivemos nenhum aborrecimento. A indústria do turismo sempre esteve avançada neste departamento. O único pequeno perrengue que passamos foi uma vez numa pousada em Florianópolis, em 2001, quando os donos, já idosos, não entenderam que a gente preferia de fato uma cama de casal e fizeram questão de trocar. (Foram muito gentis, a gente talvez não tenha sido suficientemente claro sobre a nossa situação. Essas coisas costumavam ser comunicadas de maneira sutil, antigamente.) Como era só por uma noite, acabamos deixando por isso mesmo

Machu Picchu

A photo posted by Nick Santiago (@nickstgo) on

Algum destino que você viajou, achou que a propaganda foi melhor que o produto final?!

Da mesma maneira que eu me surpreendi positivamente com Belém, me decepcionei com Manaus. Achei a cidade feia, desarrumada. Niagara Falls achei bem mixuruca, coitada. Na Ásia, não gostei nada de Hong Kong — talvez porque eu estivesse procurando uma outra Cingapura, que eu adoro de paixão.

Quais as coisas que mais te irritam em uma viagem de avião?

Até hoje viagens de avião me causam muita ansiedade. Por mais que eu viaje, ela não passa — parece que piora. Durmo mal na véspera de qualquer viagem (pode ser uma ponte aérea) e, nas viagens noturnas para o exterior, praticamente não durmo.

Algum destino na sua bucket list atual que está difícil de se tornar realidade? Qual e quando acha que vai conseguir visitar?

Por uma questão de prioridades do blog, faz tempo que a gente não volta para a Ásia. Tenho muita saudade; foram algumas das melhores viagens que fizemos. Adoraria voltar a Báli, à Índia, a Cingapura, ao Vietnã; queria ir ao Laos e à Birmânia, que ainda não visitamos — enfim: como nossa última viagem para aquelas bandas foi no início de 2005, já está mais do que na hora de voltar. Espero que em no máximo dois anos a gente consiga se desvencilhar um pouquinho para dar uma voltinha por lá.

Nick Santiago do Viaje na Viagem
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Ping-Pong de Viagem:

1- Alguma viagem a vista? Qual seu próximo destino?

Parintins, para o festival, no fim de junho.

2- Quantos países você já visitou?

Pelas minhas contas 48.

3- Você coleciona algo dos destinos que conheceu?

Moedas.

4- O que te motiva a escolha do destino de viagem?

Gosto de lugares ou urbanos ou exóticos.

5- Tirando o país que você mora, qual dos países pelos quais você conheceu que você acredita que se adaptaria para morar? Porque?

Só teria vontade de morar em Nova York, por causa da efervescência, ou em Paris, por causa do charme. Mas não sei se me adaptaria ao clima…

6- O que você viu de mais marcante na última viagem? Onde foi?

Voltei agora ao Peru, 35 anos depois da primeira viagem, e o que me marcou foi a super evolução do país. A viagem no trem Andean Explorer de Puno a Cusco foi o que mais me surpreendeu, pelo luxo e pelo profissionalismo.

7- O que não pode faltar na sua mala?

Estou aprendendo a fazer malas cada vez menores. O que não pode faltar é leveza 🙂

8- O teletransporte é possível pra você neste exato minuto, e para somente um destino. Para onde você vai?

No ano passado, vendi um ‘closet’ em São Paulo e comprei um ‘armário embutido’ no Rio de Janeiro. É pra essa minha outra casinha, onde me sinto morando e viajando ao mesmo tempo, que eu iria a qualquer momento. (Aliás, daqui a dois dias estou voando para lá.)

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21 Comentários
  1. Léa Penteado Diz

    Viva Nick um grande viajante!

    1. Martinha Andersen Diz

      Oi Léa. Isso mesmo… o Nick é um super viajante =)

  2. valeria BASTOS Diz

    adorei a entrevista e essa sessão!!! 😉

    1. Martinha Andersen Diz

      Obrigada Val. Nós também adoramos! =)

  3. Suzana Boccacino Diz

    Adorei a deliciosa entrevista !

    1. Mirella Matthiesen Diz

      O Nick realmente é uma pessoa especial… e essa entrevista foi um espelho dele 🙂
      bjos

    2. Martinha Andersen Diz

      Todos nós amamos.. O Nick é incrível. 🙂

  4. Deb Diz

    Adorei!
    Não conhecia o Nick, já virei fã! 🙂

    1. Mirella Matthiesen Diz

      Mais uma que entrou na fila de fã do Nick 🙂
      Super compreensível!
      bjoooo

  5. Mô Gribel Diz

    Nick, sempre adorável!

    1. Mirella Matthiesen Diz

      Um gentleman! bjo

  6. Mari Campos Diz

    O viajante/personna mais adorável q a blogosfera já viu ??? #soufadecarteirinha

    1. Mirella Matthiesen Diz

      Nós também somos fãs…ficamos ultra felizes quando ele topou participar!!!
      bjoo

    2. Martinha Andersen Diz

      Todas somos, Dona Mariana =)

  7. Lena Diz

    Nick ????

    1. Mirella Matthiesen Diz

      🙂

  8. sarah da silva gomes Diz

    Entrevista maravilhosa , parabéns!

    1. Martinha Andersen Diz

      O Nick é um querido e mega viajado, né Sarah.. Nós da Viajoteca também amamos a entrevista <3

  9. Malu Esper Diz

    Só li essa entrevista agora ?
    O querido Nick é adorável, gentil e generoso. Ele e o Riq são muito queridos para mim. Parabéns pela entrevista!

    1. Mirella Matthiesen Diz

      Oi Malu,
      Os dois são queridos pra todos nós …
      bjão e obrigada pelo comentário

  10. Hugo Marcio Corrêa Medeiros Diz

    Nossa, que entrevista cativante. Nick é uma pessoa incrível, super alegre e animado. Parabéns por presentear os leitores com algo tão fabuloso.

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