Uma visita a La Sebastiana, em Valparaíso

A casa favorita do famoso poeta chileno Pablo Neruda

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O Chile é um país que atrai muitos brasileiros, seja devido sua proximidade, seja devido suas belezas. Quem visita Santiago, muitas vezes dá um jeitinho de conhecer também Valparaíso, o famoso balneário que fica a uma hora e meia de viagem da capital.  É la que está uma das casas do famoso poeta chileno Pablo Neruda, a La Sebastiana em Valparaíso.

A morada favorita do poeta tem uma das vistas mais incríveis da cidade e hoje é um museu, dedicado a ele. A visita é muito interessante e vale a pena ser feita. Principalmente para apreciar o pôr do sol no mar e a vista linda que se tem de lá.

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La Sebastiana em Valparaíso

 

La Sebastiana em Valparaíso

 

“La Sebastiana” é o nome dado à casa de Neruda que ele comprou em 1959 do espanhol Sebastián Collado. Collado havia iniciado a obra da casa de onde ele poderia ver toda Valparaíso, mas que morreu antes de ver a casa terminada. Assim sendo, a casa ganhou o nome de seu ex-proprietário, já que Neruda alegou que “mesmo que don Sebastián não escrevesse versos, ele era um poeta de construção”.

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Quem foi Pablo Neruda

Agraciado com o Nobel de Literatura em 1971, Pablo Neruda foi um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Entretanto, ele também foi diplomata de seu país, ocupando cargos diplomáticos em diversas partes do mundo, como Yangun (em Mianmar), Java, Cingapura e Paris. Além de ainda ter sido cônsul do Chile na Espanha e no México.

Sua poesia é considerada por muitos como a alma do Chile, e ele desempenhou um papel importante na história recente do seu país como um ícone político e herói nacional, tendo lutado contra o governo militar.

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A vista de La Sebastiana em Valparaíso

A casa com vista infinita do mar e que tinha sido planejada como uma “casa de passarinho” pelo ex-dono, foi comprada em parceria com Matilde Urrutia, sua terceira esposa, e um casal de amigos. Ele achou a casa muito grande e queria algo menor. Desta forma, ofereceu metade dela para Marie Martner e seu marido Dr. Francisco Velasco. Marie era artista e criou os murais do teto e os belos mosaicos de pedra para esta e outras casas de Neruda.

A casa foi inaugurada com festa para os amigos em 18 de setembro de 1961, depois de ter sido reformada por vários artistas que deram tons diferentes a cada ambiente da casa. A casa de cinco andares, tinha o primeiro e segundo andar, o subterrâneo e o pátio ocupados pelos dois amigos. Neruda e Matilde ficaram com o terceiro e quarto andares e a torre.

Valparaíso

Neruda não passou tanto tempo em La Sebastiana em Valparaíso como ele o fez em suas duas outras casas, apesar de ele ter comprado a casa para “viver e escrever em paz”. Mas ele sempre estava ali na véspera de Ano Novo para ver os fogos das suas janelas, que tem uma vista impressionante de Valparaíso e do Oceano Pacífico. Entretanto seus períodos na casa foram muito produtivos, pois ele escreveu ali obras importantes que o consagraram e o fizeram ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.

Valparaíso

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Quando Neruda morreu, a casa ficou fechada por 18 anos até que a Fundação Pablo Neruda comprou a parte da casa que pertencia aos amigos de Neruda para transformar a casa em Museu. O que aconteceu em dezembro de 1991. Foi a Fundação Pablo Neruda e Telefónica de España que a reconstruíram, dando a cor exata de cada parede e colocando pinturas e objetos do poeta nos seus lugares originais.

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A visita a La Sebastiana em Valparaíso

A casa tem o estilo excêntrico de Neruda, e em cada cômodo pode se observar inúmeros objetos que fizeram parte da vida do poeta e que ele adorava colecionar. Repleta de mapas antigos, vitrais coloridos, pinturas, uma jarra em forma de vaca na qual Neruda servia seus drinks, e uma enorme dose de loucura, a visita a casa é entrar em seu mundo.

Vista da casa de Neruda

 

La Sebastiana em Valparaíso

No hall de entrada estão duas pinturas de segunda esposa de Neruda, Delia del Carril, que era uma artista e ativista, vinte anos mais velha que ele. No primeiro andar, na sala redonda, está um cavalo de madeira que fazia parte de um carrossel antigo trazido de Paris. Já na sala contígua, junto à janela, está a famosa poltrona Las Nubes na qual o poeta sentava para apreciar a paisagem. Além de uma coleção de frascos coloridos de várias formas e que completam a decoração.

No segundo andar, há um bar, que só Neruda poderia ficar e preparar bebidas para seus amigos. Ali ele preparava especialmente a bebida chamada “Coquetelón”, uma mistura de sabores com álcool presente em todas as suas celebrações.

O mural de pedra que se vê ao subir os degraus da casa foi criado por Martner, inspirado por um antigo mapa de Patagônia, que era de propriedade do poeta.

No quarto andar encontra-se o que costumava ser o quarto de Neruda. Ao lado da cama, Neruda instalou lâmpadas e uma cômoda que veio de um navio. Dali se tem uma vista espetacular sobre o porto de Valparaíso e do mar.

La Sebastiana em Valparaíso

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Como no Poema

De acordo com seu poema “La Sebastiana” (Plenos Poderes, 1962), as paredes são pintadas em azuis brilhantes e rosas para “fazê-las dançar”. Enquanto ele imaginava que as portas e escadas “cantavam”. Ele alegou que decorou sua nova casa como uma casa de brinquedo, observando que “uma criança que não brinca não é uma criança, mas o homem que não brinca perdeu para sempre a criança que vivia nele”.

Ao lado da casa, fica La Sebastiana Centro Cultural, onde acontecem várias atividades. Assim pode-se visitar  neste lugar exposições, conferências, cursos, concertos e oficinas de poesia que acontecem durante o ano. Também há um café no local, uma loja de souvenir shop e uma galeria de arte.

A visita vale a pena não só para os fãs de literatura. Mesmo quem não deseja fazer a visita da casa, não deve deixar de ir até lá para apreciar a vista.

La Sebastiana em Valparaíso

 

Para Sebastiana

 

Eu construí a casa.

Primeiramente fi-la de ar.

Depois hasteei a bandeira
e deixei-a pendurada
no firmamento, na estrela,
na claridade e na escuridão.

Cimento, ferro, vidro,
eram a fábula,
valiam mais que o trigo e como o ouro,
era preciso procurar e vender,
e assim um camião chegou:
desceram sacos e mais sacos,
a torre fincou-se na terra dura                                                                                                

– mas isto não basta, disse o construtor,
falta cimento, vidro, ferro, portas – ,
e nessa noite não dormi.

Mas crescia,
cresciam as janelas
e com pouca coisa,
projetando, trabalhando,
arremetendo-lhe com o joelho e o ombro
cresceria até ficar completada,
até poder olhar pela janela,
e parecia que com tanto saco
poderia ter teto e subir
e agarrar-se, por fim, à bandeira
que suspensa do céu agitava ainda as suas cores.

Dediquei-me às portas mais baratas,
às que morreram
e foram arrancadas das suas casas,
portas sem parede, rachadas,
amontoadas nas demolições,
portas já sem memória,
sem recordação de chave,

e disse: “Vinde
a mim, portas perdidas:
dar-vos-ei casa e parede
e mão que bate,
oscilareis de novo abrindo a alma,
velareis o sono de Matilde
com as vossas asas que voaram tanto.”

.

Então a pintura
chegou também lambendo as paredes,
vestiu-as de azul-celeste e cor-de-rosa
para que se pusessem a bailar.
Assim a torre baila,
cantam as escadas e as portas,
sobe a casa até tocar o mastro,
mas o dinheiro falta:

faltam pregos,
faltam aldrabas, fechaduras, mármore.
Contudo, a casa
vai subindo
e algo acontece, um latejo
circula nas suas artérias:
é talvez um serrote que navega
como um peixe na água dos sonhos
ou um martelo que pica
como um pérfido pica-pau
as tábuas do pinhal que pisaremos.

Algo acontece e a vida continua.

A casa cresce e fala,
aguenta-se nos pés,
tem roupa pendurada num andaime,
e como pelo mar a primavera
nadando como uma ninfa marinha
beija a areia de Valparaíso,

não se pense mais: esta é a casa:
tudo o que lhe falta será azul,
agora só precisa de florir.
E isso é trabalho da Primavera.

(Neruda, Pablo, Plenos Poderes, Tradução de Luís Pignatelli, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1962, p.73)

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Informações Práticas

 

Horário

Março a Dezembro, de 3ª-domingo, entre 10h10-18h.

Janeiro e Fevereiro, de 3ª-domingo, entre 10h30-18h50.

Fechado nas 2ªs-feiras.

Horário de funcionamento da casa de Neruda

 

Entrada

Adulto: $7.000 (Sete mil pesos) por pessoa.

Entrada preferencial: $2.500 para estudantes e chilenos maiores de 60 anos.

A tarifa inclui o áudio-guia disponível em inglês, francês, português, alemão e espanhol.

(valores atualizados em outubro de 2019)

La Sebastiana em Valparaíso

 

Endereço

Fica no Cerro Bellavista, na Calle Ricardo de Ferrari 692, Valparaíso, Chile.

Telefone:+56 32 225 6606.

www.fundacionneruda.org/es

Como chegar em La Sebastiana em Valparaíso

 

Como chegar

A partir de Santiago, Valparaíso fica a 1 hora e meia de carro ou de ônibus (que saem a cada 15 minutos da estação rodoviária da cidade.

Estando em Valparaíso, pode-se pegar um táxi compartilhado (colectivo 38) na Plazuela Ecuador ou um táxi normal que deixa na porta da casa-museu.

Outras opções para chegar em La Sebastiana em Valparaíso:

Pegar o Ascensor Espírito Santo para subir o Cerro Bellavista, dali subir a pé 800 metros ao longo da Héctor Calvo a partir do Ascensor Espíritu Santo. Ou pegar o ônibus verde O no Serrano, próximo da Plaza Sotomayor em El Plan. Ainda pode-se descer na plaza no topo do Cerro Alegre e descer na quadra do número 6900 da Av. Alemania.

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Dicas

Tente visitar a “La Sebastiana” no início da manhã, já que neste horário a bela vista está no seu esplendor máximo.

 

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