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Visitando o Campo de Concentração de Auschwitz

por Martinha Andersen
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Visitar o Campo de Concentração de Auschwitz na Polônia foi uma das minhas maiores emoções em viagens. E porque não dizer da vida. Isso que eu já fui 3x. Aliás, quando vim morar na Europa, este era um dos lugares que eu mais queria conhecer. Pois, a expectativa de aprender fatos interessantes sobre a Segunda Guerra Mundial e conhecer os campos de extermínio nazistas, sempre me fascinou.

Eu, durona, só não imaginava que ia me impactar tanto. Isso que me achava super preparada para a visita. Tinha lido muitos livros à respeito. Inclusive, tinha visto documentários, além de ter escutado uma história aqui e outra ali. Mas, mesmo assim, tudo foi muito forte. Emoções que eu nem achava que tinha, afloraram. E o mais engraçado, que nas visitas seguintes, foi o mesmo drama. Eu já vi, já conheço, mas era impossível segurar a emoção.

Campo de Concentração de Auschwitz

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Campo de Concentração de Auschwitz

O Campo de Concentração de Auschwitz entrou em atividade em 1940 e foi fechado em 1945, somente no final da guerra. Auschwitz está localizada na região de “Lesser”, na cidade de Oświęcim, no sul da Polônia. Auschwitz é o nome alemão para a cidade polonesa de Oświęcim, que está a cerca de 70 quilômetros a oeste da Cracóvia.

Juntamente com Dachau, Sachsenhausen, Buchenwald, Flossenbürg, Mauthausen e Ravensbrück, Auschwitz foi o sétimo campo de concentração construído pelos nazistas. Ele era o maior deles, o que fez ele se tornar importante. Além disso, a cidade de Oświęcim era bem relacionada com várias outras cidades e vilas da região. Provavelmente, este é o motivo da sua industrialização e importância.

Campo de Concentração de Auschwitz

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Memorial de Auschwitz

Não sei se você sabe, mas Auschwitz é o nome do complexo de campos de concentração. Então, eram 4 campos operados por nazistas e que ficavam próximos um do outro. Assim, quando vamos conhecer Auschwitz, na realidade, a visita se divide em Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau). Os campos de trabalho menores, Buna e Monowitz, não podem ser visitados e quase nem existem mais. Hoje em dia, a visita acontece no Memorial de Auschwitz criado em 1947 e que desde 1979 é Patrimônio Mundial da Unesco.

É muito difícil de compreender o real tamanho do que aconteceu até que você esteja realmente ali. Logo vem na cabeça as intermináveis filas em frente aos edifícios, muitas vezes com 100.000 pessoas. As pessoas chegavam em trens e já na chegada eram avaliadas na chamada “rampa de judeus”.

Muitos deles eram enviados diretamente para as câmaras de gás, principalmente aqueles que não podiam trabalhar, como crianças, idosos e doentes. Outros, em melhor forma física, eram tatuados com um número de prisioneiro e depois seguiam ​​para trabalhar nos campos de concentração. Tudo isso é muito cruel, mas ver de perto os campos, o museu e os ambientes dá uma dimensão das atrocidades que foram praticadas. Sem dúvida, esta é uma visita dura, onde a gente precisa ter estômago, mas é muito necessária. Como diz a placa que está no campo:


“AQUELES QUE NÃO LEMBRAREM O PASSADO, ESTÃO CONDENADOS A REPETI-LO”

Campo de Concentração Polônia

Campos de Auschwitz I, II e outros

A visita que fiz foi nos dois campos principais, Auschwitz I e II, mas a região contava ainda nos arredores com outros 2 campos menores, Buna e Monowitz. Estes eram campos de trabalhos forçados. Para começar, Auschwitz I, apesar de ser o principal campo, não é muito grande, pois era um quartel militar transformado em um campo de concentração. Então, os nazistas decidiram que precisavam de um aparato de matar mais eficiente. Deste modo, eles construíram Birkenau (Auschwitz II) para a morte.

Birkenau era o maior de todos os campos de concentração que os nazistas já haviam construído. Consequentemente, mais de um milhão de pessoas foram mortas apenas nesses dois campos. Mas, algumas estimativas dizem que foi até mais de 1,5 milhão, dentre um número total de mais de 5 milhões de mortos.

De forma que 72 anos após a libertação do campo, o passado sombrio ainda está bem presente ali. É muito triste ficar na mesma plataforma onde 1,3 milhões de pessoas (judeus, ciganos, presos políticos e outros “indesejáveis”) chegaram em trens lotados. Onde eles não percebiam que tinham acabado de pisar em um campo de extermínio, onde 85% deles morreriam. Inclusive, Anne Frank veio para cá, junto com outros deportados da Holanda ocupada. E daqui não saiu.


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Auschwitz I

Este foi o primeiro e o principal acampamento construído pelos nazistas. Hoje em dia este campo de concentração é um museu. Ele começou a ser usado pela SS em 1940, quando os primeiros prisioneiros, principalmente poloneses e soviéticos, foram deportados e mortos. Auschwitz I comportava cerca de 16.000 prisioneiros por vez. Inclusive, foi aqui também que os nazistas iniciaram os experimentos com o gás Zyklon B.

A entrada para Auschwitz I é caracterizada pela placa Arbeit Macht Frei (O trabalho irá libertá-lo). Eu tinha acabado de passar pelo portão onde milhões de pessoas caminhavam para a morte, e me senti completamente anestesiada. Foi assim que minha visita a Auschwitz I começou. 

Campo de Concentração de Auschwitz
Museu

Seguimos para o prédio que serve de museu e guarda objetos e história dos prisioneiros. Sem dúvida, é muito triste entrar e ver tudo o que está exposto ali. É interessante ver um mapa com a localidade de onde eram os judeus e prisioneiros de outras nacionalidades foram deportados para Auschwitz.

Fotos ampliadas de adultos e crianças em pé nas câmaras de gás é de cortar o coração. Provavelmente, eles não sabiam o que estava prestes a acontecer. Ver os típicos pijamas listrados azul e branco, também é impactante.

Campo de Concentração Polônia

As salas com os pertences das vítimas são certamente os mais difíceis de visitar. Desde sapatos a malas vazias (cada uma com um nome e data), vários pertences pessoais estão expostos. Cada uma contando a história de uma família dilacerada. Mas ainda você encontrará outros tipos de pertences, como óculos e até cabelos das vítimas.

Campo de Concentração Polônia
Campo de Concentração Polônia
Câmara de gás

A câmara de gás em Auschwitz I podia armazenar cerca de 700 pessoas ao mesmo tempo. O crematório estava na sala ao lado. Então, é bem difícil imaginar que milhares de pessoas caminharam por aquela porta e nunca mais saíram. Com efeito, várias pilhas enormes dos cilindros de gás usados estão expostos aqui. 

Campo de Concentração de Auschwitz

Na fronteira do campo de concentração ficam várias cercas de arame farpado eletrificados e torres de observação. Como resultado, havia pouca chance de escapar.  

Campo de Concentração de Auschwitz

Auschwitz II – Birkenau

Em seguida, a visita pode ser feita no campo de concentração de Auschwitz II, ou seja, o temido Auschwitz-Birkenau. Entre os dois campos tem um ônibus gratuito que transporta os visitantes entre Auschwitz I e Birkenau. O campo de Birkenau fica a 3 km de Auschwitz I.

Quando o ônibus se aproximou de Birkenau, lentamente eu comecei a entender melhor o tamanho e o alcance do Holocausto. Auschwitz I era pequeno, com grandes edifícios de tijolos e uma arquitetura mais permanente. Enquanto Birkenau era enorme e conforme íamos nos aproximando, parecia que não ia ter fim. Irreal!!

Atualmente, o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau (Auschwitz II) é uma área quase vazia. Mas você ainda sente no ar o cheio da morte dos milhões de pessoas. Sendo que 90% das vítimas deste lugar eram judeus provenientes da Hungria, Polônia, Rússia, Áustria, Itália, Croácia, Bélgica, França, Holanda, Grécia e Alemanha. Só que os judeus não foram os únicos. Além destes, muitas vítimas eram dos grupos nômades sinti e roma (ciganos), assim como homossexuais, deficientes físicos, opositores políticos dos nazistas e ainda Testemunhas de Jeová.

Campo de Concentração de Auschwitz
Campo de Concentração de Auschwitz
Birkenau

O acampamento é tão grande que é muito fácil você se sentir completamente isolado, mesmo que centenas de pessoas estejam andando por ali. Aliás, este é o maior campo de concentração construído e onde milhões de pessoas morreram nas câmaras de gás e em condições de vida desumanas. Birkenau foi ocupado por mais de 90.000 prisioneiros por vez e mais de 1,5 milhões de pessoas (90% judeus) foram mortos aqui.

A entrada de Birkenau é o local onde os trens (como o da foto abaixo) lotados chegavam no campo. Ali o destino das pessoas era decidido. Ou elas eram enviadas diretamente para as câmaras de gás, ou tinham as suas cabeças raspadas antes de se tornar trabalhadores. Os nazistas os abrigavam em condições horríveis e os usaram como mão-de-obra escrava para várias necessidades diferentes da guerra. 

Campo de Concentração de Auschwitz

Na minha frente, apenas espaços vazios e os trilhos que finalmente param em um beco sem saída. Aqui ficam o que sobrou dos crematórios principais e das câmaras de gás. Eles foram destruídos pelos nazistas na tentativa de encobrir suas atrocidades.

Câmaras de gás e crematórios

Retratado aqui são as ruínas desmoronadas do Krema II. Era difícil compreender como esse inofensivo amontoado de tijolos foi o palco do maior assassinato em massa da história humana registrada. Mais de 500.000 judeus foram envenenados por gás somente neste edifício. Com o propósito de serem assasinados, enquanto eram reunidos em seu interior como gado, e posteriormente eram despejados inseticida Zyklon-B através de escotilhas nas paredes.

As mortes aconteciam em cerca de 30 minutos e eram colocadas em torno de 800 pessoas por vez nas câmaras de gás. Depois dali, os corpos eram levados para serem cremados nos fornos que ficavam em salas anexas. Posteriormente, as cinzas eram jogadas nos rios da região.

Campo de Concentração Polônia
Dormitórios

Dentro de Birkenau, cada pavilhão deveria abrigar no máximo 700 pessoas, mas chegaram a ter 1200 ocupantes. Fora as duras camas de madeira eram cerca de 6 pessoas cada, mas deitavam-se muito mais pessoas. Nestes pavilhões, tudo é meio estranho. Provavelmente porque as pessoas que viveram e morreram aqui não deixaram nenhum vestígio de sentimentos humanos. Eles foram desumanizados, tanto as vítimas quanto os opressores.

Campo de Concentração de Auschwitz

Além disso, ali não havia nenhuma chance de escapar. Pois o campo era todo cercado com cercas de arame farpado e fio elétricos. Ainda tinham várias torres de vigia ao redor do campo inteiro.

Campo de Concentração Polônia

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Auschwitz III – Monowitz

O terceiro acampamento era o Auschwitz III. Ele foi construído como um subcampo de trabalho escravo pelos nazistas. Originalmente, este campo era parte de Birkenau, mas mais tarde se tornou totalmente separado. Pois, o trabalho produzido ali pelos prisioneiros era vital para várias indústrias importantes. Afinal, eles precisavam de mão de obra para usufruir dos recursos naturais da região, como água, cal e carvão.

O trabalho ali era bem pesado, tanto que a expectativa de vida em Monowitz era de quatro meses. Atualmente, não é possível visitar este acampamento. Isto porque, grande parte desse acampamento não existe mais em sua forma anterior.

Informações Práticas sobre Auschwitz

Onde fica Auschwitz

Więźniów Oświęcimia, 20

32-603 Oświęcim, Polônia

Informações aqui.

Horário de abertura

O museu abre todo o ano, sete dias por semana.

Ele só não abre nos dias 1º de janeiro, 25 de dezembro e domingo de Páscoa.

Das 7h30 – 14h – Dezembro
Das 7h30 – 15h – Janeiro e Novembro
Entre 7h30 – 16h – Fevereiro
Entre 7h30 – 17h – Março e Outubro
Das 7h30 – 18h – Abril, Maio e Setembro
Entre 7h30 – 19h – Junho, Julho e Agosto

Entrada

A entrada ao Memorial de Auschwitz é gratuito.

Entretanto, devido ao grande número de visitantes ao Memorial de Auschwitz, a visita deve ser agendada previamente. Então, se você planeja ir por conta própria, você deve entrar antecipadamente neste site (visit.auschwitz.org) e fazer seu cadastro.

Ali você deve escolher a data e o horário da sua visita. Só com o comprovante da reserva online, você poderá entrar no Museu.

Excursão: se você optar por ir de excursão, não se preocupe. As agências de turismo se encarregam de fazer o cadastro para você.

Visita guiada

A visita ao Memorial de Auschwitz é gratuita, mas somente quando você faz a visita por conta própria. Assim sendo, você poderá perambular pelos espaços e ver todas as instalações, mas eu posso te afirmar que tua visita só será completa se você seguir algum guia. Somente com um guia você vai receber as informações ricas sobre o lugar, ouvir as histórias e saber dos detalhes dos fatos.

Por isto, eu recomendo fortemente que você ou siga com uma excursão que faça uma visita guiada ou então pague uma diretamente no Memorial. Caso você queira fazer a visita guiada do Memorial, você deve fazer uma reserva no site dado acima (o mesmo do agendamento da visita) até 5 dias antes da data planejada da visita.

As visitas guiadas organizadas pelo Memorial podem ser feitas em inglês, espanhol, francês e italiano.

Eles oferecem várias opções de visitas guiadas, sendo que todas elas incluem passeios por Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau.

  • Passeio geral (2,5h)
  • Passeio geral (3,5h)
  • Visitas guiadas para visitantes individuais (3,5h)
  • Passeio de estudo de um dia (6h)
  • Passeio de estudo de dois dias (2 x 4h)

Devido ao grande número de visitantes, eles indicam fortemente que você faça a reserva dos seus passeios pelo menos dois meses antes de uma visita planejada.

Excursão a partir de Cracóvia ou Katowice

Uma das maneiras mais práticas para os turistas é pegar uma excursão agendada previamente a partir das cidades de Cracóvia ou Katowice. Existem várias empresas que pegam os turistas nos hotéis, ou marcam um ponto de encontro, e depois seguem até o Memorial de Auschwitz.

Estas excursões podem incluir o transporte ida e volta, um guia que vai explicar toda história do lugar e organiza tudo por lá. As excursões podem ainda incluir almoços e passeios extras, então você pode optar por fazer passeios de meio dia ou dia inteiro.

Outra boa opção são os passeios que incluem visitas a outros lugares, como a Mina de Sal Wieliczka.

Ida de ônibus

Uma maneira de você ir até o Memrial de Auschwitz por conta própria é pegando um ônibus. Eles saem regularmente da Cracóvia e de Katowice e param junto ao museu.

Ida de carro

Você pode facilmente seguir de carro até o Memorial de Auschwitz, tanto a partir de Cracóvia (cerca de 70 km – 1h10 de viagem), como a partir de Katowice (cerca de 36 km – 40min). As estradas são boas.

Estacionamento

Cada um dos 2 campos de concentração do Memorial de Auschwitz tem estacionamento, onde você pode deixar o carro enquanto visita o lugar. Entretanto, o estacionamento é pago.

Ônibus do Museu

Os campos de concentração Auschwitz I e II ficam a cerca de 3 km de distância entre um e outro. Mas o Memorial de Auschwitz oferece um ônibus gratuito entre eles. Entre abril e outubro, o ônibus sai a cada 10 minutos. Já entre novembro e março, o ônibus sai a cada 30 minutos. Aliás, a passagem de ônibus é gratuita.

Hotel em Auschwitz

Geralmente, quem visita o Memorial de Auschwitz faz um passeio de bate e volta a partir de Katowice ou da Cracóvia. Mas você também pode se hospedar em Oświęcim. Inclusive, você pode ficar em hotéis e apartamento junto ao Memorial se quiser. Uma das opções é o excelente Hotel Imperiale, que fica ao lado do Memorial. Ele é um 4 estrelas e muito bem indicado. Bem ao lado dele, está o Hotel Olecki, um 3 estrelas também muito bem avaliado. Mas a região também tem algumas opções de apartamentos.

Hotel em Cracóvia:

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Você conheceu algum dos campos de concentração espalhados na Europa? 

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victoria louise 8 de agosto de 2022 - 10:28

Olá, adorei todas as informações, mas gostaria de saber como faço para chegar de Varsóvia ao memorial, pois estava vendo para me hospedar na capital. obrigada aguardo resposta

Responder
Carina 8 de agosto de 2022 - 12:45

Oi, Victoria!
Varsóvia fica bem longe de Auschwitz, então você não consegue ir da cidade para lá. Você pode até tentar achar algum tour, mas eu não tenho conhecimento. 😉
Boa viagem!

Responder
18 RAZÕES PARA VISITAR AMSTERDAM NA HOLANDA | Joao Cristina 28 de fevereiro de 2021 - 11:16

[…] Certamente te desencadeará uma série de emoções. Pra mim não foi tão pesado quanto visitar o Campo de Concentração Auschwitz, mas ainda assim é bem pertubador. O lugar certamente já vale a visita por sua […]

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