Nas Alturas do Monte Elbrus, na Rússia

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Se você acha que a montanha mais alta da Europa fica nos Alpes (como eu pensava – será o Mont Blanc?) está enganado! Essa montanha fica no Cáucaso, uma cadeia rochosa no sul da Rússia, perto da Geórgia e próxima ao mar negro. A montanha é o Elbrus e o Cáucaso é uma região muito mais remota e menos desenvolvida que os Alpes – mas que não deve absolutamente nada à eles em termos de beleza e historia! E foi assim que comecei mais uma aventura alpinista nas alturas do Monte Elbrus…

St. Petersburgo na Russia
Detalhes de São Petersburgo

Para chegar ao Monte Elbrus é necessário sair de Moscou, mas se puder aproveite pelo menos um dia na belíssima cidade de São Petersburgo, tão Europeia que parece Veneza com seus canais, palácios e museus.

Dica: para ir à Rússia sem precisar de visto, use o passaporte Brasileiro! Existe um acordo bilateral entre os dois países, que não existe para Canadenses, por exemplo.

De São Petersburgo o meu grupo viajou de trem, no expresso da meia-noite até Moscou (800km). Essa é uma pequena aventura em si mesmo, e uma boa opção para se passar uma noite viajando com estilo e conforto – mesmo quando a sua tropa leva meia tonelada de equipamentos de escalada!

De Moscou pega-se um voo de 2 horas (pela Aeroflot, a companhia Russa de aviação desde a era Soviética) para a região de Mineralnye Vody (“Aguas Minerais” em Russo) e de lá são mais 3 horas de carro até a região de Elbrus. Parece muito, mas quem sai de manhã cedo de Moscou chegará no meio da tarde no vilarejo de Terskol, aos pés da grande montanha. Essa é a “Meca” do trekking e alpinismo no Cáucaso, no meio do caminho entre os Alpes Europeus e o Himalaia Asiático… estávamos felizes por termos chegado!

Mapa da Russia: St. Petersburgo, Moscou e o Cáucaso
Rússia, St. Petersburgo, Moscou e o Cáucaso

 

Trem Expresso de Moscou a St. Petersburgo
O Expresso Moscou <> St. Petersburgo (conseguem traduzir os nomes no trem, à esquerda da foto?) / Interior dos vagões, com serviço de bordo

Foram meses de preparação: compra e checagem de equipamentos, férias marcadas no trabalho, treinamento físico (mais escadas – lembram do Monte Rainier?), check-up médico, rotas e mapas estudados… tudo convergiria nos próximos dias e a escalada ao cume do Elbrus. O entrosamento entre o grupo também seria importante: três amigos de Vancouver, um casal de amigos de Calgary (que subiram o Kilimanjaro comigo em 2012), e uma Australiana que passou o Natal passado no acampamento-base do Everest, no Nepal. O líder da expedição foi o Wally Berg, montanhista veterano (Everest, Aconcágua, Elbrus e vários outros) da Berg Adventures.

Equipamento para escalar o Caucaso
(1) Equipamento, check! (2) Grupo chegando em Moscou (3) Mapa topográfico da montanha (4) “Papers please”: na 2a linha o meu nome (Rafael) e na 3a linha a nacionalidade (Brasil)…

Vale lembrar que chegamos na Rússia muçulmana, perto da Geórgia, Azerbaijão, e Chechênia. O Cáucaso é uma região historicamente associada com conflitos étnicos e políticos, intervenções militares recentes e tensão religiosa. Passamos por ‘check-points’ militares na estrada, e vimos a presença de soldados-montanhistas patrulhando as trilhas constantemente. Depois de alguns dias treinando nos acostumamos a passar por militares armados que nos ignoravam, mas a sensação é de que éramos observados com cautela pelo exército.

Patrulha do exercito ao escalar o Caucaso
Trilhas nos vales e montanhas mais baixas, patrulhadas pelo exercito. Além das montanhas fica a fronteira com a Geórgia

Começamos a fazer caminhadas de aclimatação nas montanhas próximas, subindo cada vez mais alto com o passar dos dias – 3.500, 4.000, 4.500 metros acima do nível do mar. Certo dia encontramos um alpinista de Winnipeg em Terskol. Ele havia acabado de descer do Elbrus, e relatou que seu grupo passou frio no cume (quando um alpinista Canadense, *de Winnipeg*, diz que passou frio você começa a se preocupar! Vai por mim!). Segundo ele a temperatura no cume há alguns dias era de 25 graus negativos, além do fator do vento (‘windchill’), mais o efeito da altitude no organismo que faz com que sintamos mais o frio. Aluguei mais roupas em uma loja local, para adicionar camadas de isolamento às roupas que trouxe comigo. Também compramos garrafas térmicas de titânio para levar água quente, chá ou mesmo sopa, sendo comuns em expedições em altitude por facilitarem a ingestão de líquidos e calorias adicionais, e esquentar o organismo.

Após a aclimatação inicial chegou o dia de nos mudarmos para a parte alta da montanha (Garabashi), dormindo em um dos abrigos alpinos ou “barrels” (por conta do seu formato de barril, ou container). Deixamos a parte baixa das montanhas transportando nossa carga em teleféricos de skis e usando um “snowcat” (trator de neve com esteiras) na parte final até o abrigo. O nosso abrigo possuía dois cômodos (que luxo!): o primeiro com uma mini-cozinha e mesa, e o segundo com beliches para 8 pessoas e todo o nosso equipamento. A eletricidade é fornecida por baterias portáteis durante algumas horas ao dia (o suficiente para carregar câmeras e ipods).

Abrigos alpinos na base do Elbrus
Abrigos alpinos na base do Elbrus / Explorando a região no sopé da montanha
Barrels camping e Montanhistas ruma ao cume
Nosso “Barrel” (laranja) / Montanhistas começando o ataque ao cume

Nossa rotina passou a ser focada em caminhadas diárias, até o “abrigo 11” (uma formação rochosa que parece um imenso número 11 à distancia) e depois até os rochedos Pastukhov, já perto dos 5.000 metros de altitude. Quando não estávamos treinando, descansávamos ouvindo dicas e instruções detalhadas dos guias: não levar água ou comida fora da mochila (vai congelar!), como usar um “ice-axe” (picareta de gelo) para frear uma queda, como controlar a respiração e esforço durante a escalada… valeu a pena contarmos com guias experientes, que foram verdadeiros mentores.

Na quarta-feira, 10 de Julho, acordamos às 2 da manhã, e às 4 da manhã deixamos o abrigo para trás. Um membro do nosso grupo decidiu não subir – seu organismo não estava se adaptando à altitude, e o líder da expedição pediu que ficasse. Foi uma decisão muito difícil, sentida pelo grupo inteiro, mas a segurança estava sempre em primeiro lugar. Alcançamos o cume do Elbrus antes do meio-dia, com um céu claro e um sol sereno aquecendo nosso caminho durante toda a subida – uma raridade nessa montanha, que facilitou a nossa subida e fez com que todos alcançassem o objetivo!

Vista do cume oriental do Elbrus
Vista do cume oriental do Elbrus

Mas, mesmo com o tempo extremamente favorável a escalada se tornou um sério desafio: mais uma pessoa do nosso grupo sofreu mal de altitude ao se aproximar do cume, e outra dependeu da ajuda dos guias para descer a montanha. Estávamos todos exaustos. O tempo começou a mudar ao longo do dia, e quando chegamos de volta ao abrigo no fim da tarde praticamente toda a montanha havia sido coberta por uma camada espessa de névoa, que fez com que nos sentíssemos ainda mais abençoados por termos alcançado o cume e retornado em bom tempo.

 Grupo no topo da montanha em Elbrus
Grupo no topo da montanha!

Gostou do que leu? Que tal ver o vídeo que ilustra cada detalhe dessa viagem e escalada!

Veja mais:
• Monte Elbrus no Wikipedia.


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3 Comentários
  1. […] mim, compartilhar uma refeição com pastores Maasai na Tanzania ou escalar com o guias locais no Cáucaso Russo e conhecer suas estórias são tão importantes quanto alcançar o pico dessas […]

  2. […] que muitas vezes vai ser quase impossível aprender, entender o idioma local, como na China, Rússia, … mas para a alegria de todos, o francês por ser uma língua latina, tem muita similaridade […]

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