Música + Viagem: Uma volta ao mundo com 80 bandas

Picture by Sergey Krotov
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Você pensou dar uma volta ao mundo unindo duas de suas maiores paixões e o trabalho? Então, é exatamente isso que o casal brasileiro de produtores cinematográficos Diana Boccara e Leo Longo estão fazendo no momento, num projeto inédito e super bacana que alia música e viagem intitulado de “The World in 80 Music Videos”.

De forma independente e colaborativa, o casal que está na estrada desde Março de 2015 e já visitou até o momento 16 países, está produzindo nada mais nada menos que 80 vídeo clips com bandas de rock desconhecidas ou pouco conhecidos de cada um dos destinos que visitam.

Com planos de visitar ao todo 22 países diferentes, Leo e Diana já produziram mais de 380 minutos de vídeos, os quais vocês podem acompanhar no canal deles no Youtube.

Além dos vídeo clips de música produzido com cada uma das bandas que eles trabalharam ao longo desse projeto. A cada semana, eles também publicam um vídeo super divertido do “making off” do clipe, os quais são sempre recheados de curiosidades sobre a viagem, o destino da semana e a banda em questão.

Como já fazia um tempinho que não entrevistávamos ninguém para a seção do “Viajando com quem Viaja” aqui no Blog. Aproveitei que eles entraram em contato comigo porque pensavam que eu ainda estava morando em Auckland para trocarmos uma idéia sobre a cidade, para fazer uma entrevista com eles. Vamos lá?

Música + Viagem : Uma volta ao mundo em 80 clipes com Diana e Leo

Como e quando surgiu a ideia de dar uma volta ao mundo, explorando o mundo da música e de quebra ainda produzindo 80 videoclipes de bandas que vocês, ou pelo menos boa parte do mundo, mal conhecem?

Foi viajando que chegamos a conclusão que deveríamos juntar 3 coisas que gostamos bastante: música, viagem e nossa profissão. Em 2014, decidimos fazer uma roadtrip pelo sul dos EUA, descendo o rio Mississipi e parando em diversas cidades, entre elas, as cidades da música: Nashville, Memphis, Clarksdale e New Orleans. E quando voltamos, bateu aquela sensação triste pós-férias e a vontade de continuar viajando. Então, pensamos: por que não criar um projeto nosso, totalmente independente, sobre música e viajando pelo mundo?

E foi depois de discutir algumas ideias, logo após esta viagem, que decidimos criar o projeto. Diana e eu sempre trabalhamos em grandes emissoras e produtoras, eu como diretor e ela como produtora. Então, juntamos música, viagem e filmmaking em Around The World in 80 Music Videos.

Foto por Marcel Nascimento
Brasil : Foto por Marcel Nascimento

O conceito de Nômades Digitais está cada vez mais em voga. Vocês já trabalharam juntos neste tipo de projeto anteriormente? Como foi adaptar a rotina de trabalho / produção de conteúdo “on the go” ao contexto itinerante e frugal das viagens? Até porque, só a logística de VAM já é algo bem complicado, mas vocês ainda tem que descobrir/contatar as bandas, explorar as locações de filmagem, produzir o clipe e editar conteúdo em apenas 1 semana. Isso deve ser algo bem puxado certo?

Trabalhamos juntos algumas vezes no Brasil e por moramos juntos há alguns anos, fomos nos acostumando a como ter a melhor relação possível entre nós e nossas obrigações, deveres e namoro nos projetos que fizemos.
E sobre o trabalho que temos em ATW80, é realmente bastante. Muito puxado! Trabalhamos cerca de 16 horas por dia. Acordamos e já vamos pro computador. Mas isso não é um problema e mesmo depois de tanto tempo, achamos renovador e saudável levar nossa vida assim.

Sobre nossa rotina, demoramos algumas semanas pra conseguir definir o melhor funcionamento da nossa agenda. Mas acho que hoje temos uma mecânica muito funcional e prática. A gente divide nossa vida em ciclos de 3 a 4 semanas, ou seja, a cada mudança de país. A primeira semana é quase sempre dedicada para conhecer bandas, afinar roteiros de gravação e se ambientar em nossa nova cidade. Na segunda e terceira semanas, é mão na massa. Temos que produzir os clipes, realizar ensaios, buscar locações, contatar pessoas, buscar referências de figurino, objetos de cena, etc. E a última semana é dedicada para gravar os 4 ou 5 clipes que fazemos por país. Só que em paralelo, haja tempo para editar os episódios de making of (nosso webreality Behind The Trip), finalizar os clipes, criar ideias dos próximos vídeos, pesquisar bandas do próximo país e produzir nossa vida no nosso próximo destino. Ah, em paralelo, sempre trabalhamos fazendo nossa própria assessoria de imprensa, tentando viabilizar parcerias e tentando vender espaços comerciais em nosso conteúdo.

Coreia do Sul por Gracia Lee
Coreia do Sul : Foto por Gracia Lee

Vocês saíram do Brasil neste projeto com um roteiro pré-estabelecido? Estão contando com algum tipo de apoio ou patrocínio? Até porque, desde que vocês caíram no mundo neste projeto em Março de 2015, a cotação do Real saiu da casa dos BRL2.80 e agora está na casa dos BRL 4. Como vocês tem lidado com essa variação cambial que anda afetando todos os viajantes?

Tínhamos a ideia de fazer a mesma quantidade de países que saímos do Brasil em Maio de 2015 (os dois primeiros meses foram viajando pelo Brasil). Mas no meio do caminho alteramos o percurso por não encontrar uma cena musical voltada ao rock que fosse muito interessante, como Marrocos e Filipinas, por exemplo, que queríamos muito ter visitado. Substituímos esses dois países por Egito e Nova Zelândia. E também tínhamos plano de ir pra Espanha, só que as bandas que queríamos por lá acabaram demorando pra confirmar, e então resolvemos eliminar a passagem por lá.

Sobre o custo do projeto, acho que essa história da cotação nos fez perder 2 meses de recursos. É um baque pensar isso. Mas como nosso projeto é longo prazo, deu tempo de nos organizar e rever o quanto podíamos gastar em cada país, além do que, tivemos que deixar de ficar mais tempo em países caros, como Reino Unido, Hong Kong e EUA, pra ficar mais tempo em outros com custo mais baixo, principalmente com relação a hospedagem.

Egito : Foto por Mahmoud Khattab
Egito : Foto por Mahmoud Khattab

O nome do projeto de vocês é: “Ao redor do mundo em 80 vídeo clipes”, possivelmente uma alusão à obra de Julio Verne “Volta ao Mundo em 80 Dias”.   Até o momento vocês já visitaram 16 países e 29 cidades produzindo 44 videoclipes. Com base na experiência até momento, este simbólico número 80, foi uma meta realista, fácil ou meio loucura total? Vocês pensam em eventualmente estender o projeto numa “segunda temporada” ?

Sempre achamos que um bom nome ajuda a vender o projeto. E sempre quisemos um nome que fosse de fácil entendimento. E o nome do livro do Júlio Verne tinha muito mais a ver conosco. É uma obra inovadora, com personagens instigados por um desafio inédito e para superar seus limites. Além disso, realizado por 2 pessoas. Achamos que tudo isso combinava demais com nossa proposta. Sobre ser 80, confesso que é muito, o que exige da gente muito mais recursos e muito mais tempo dedicado, mas acho que não poderia ter sido melhor. O fato de durar tanto tempo, também nos ajuda ter experiências mais profundas, aprender mais e desenvolver mais nossas habilidades. Também faz com que a gente tenha tempo de corrigir o rumo, quando precisamos substituir um país, por exemplo.

Neste momento não pensamos em segunda temporada. Queremos terminar este projeto, criar alguns subprodutos dele como nosso livro, nosso documentário e dar aulas e palestras em universidades.

Hong Kong : Foto por Walter Lai
Hong Kong : Foto por Walter Lai

Dos países/cidades nos quais você já produziram um clipe para este projeto, qual delas mais cativou e qual delas mais surpreendeu vocês? Tanto no sentido musical, quanto como destino turístico em si. Alguma decepção?

Portugal é nosso país do coração. Foi nosso primeiro destino depois do Brasil e onde fomos recebido por todos de uma forma inesquecível. Imprensa, comunidade de produtores independentes, bandas e várias outras pessoas que estiveram em nosso caminho. Além disso, que país lindo, receptivo, com uma culinária brilhante e com custo de vida acessível.

E a maior surpresa é Melbourne. Não tínhamos muita ideia de como seria porque não tivemos tanto tempo de pesquisar a cidade antes de chegar. Mas descobrimos acho que a melhor cidade pra se viver até agora. Uma união entre arte, natureza e o mundo urbano que vimos em poucos lugares. Somos apaixonados por Melbourne, nossas bandas convidadas e nossos novos amigos.

A nossa decepção nestas visitas e trocas constantes de cidades é o fato de não conseguirmos visitar tanto os lugares turísticos de cada lugar. Acaba sobrando pouquíssimo tempo pra lazer. Mas estamos deixando amigos por onde passamos e esperamos voltar pra conhecer melhor cada destino.

Australia : Foto em Point Lonsdale
Australia : Foto em Point Lonsdale




A música é uma linguagem universal, mas na prática, como é trabalhar com artistas que vocês mal conhecem de culturas e backgrounds tão diferentes? Como é a receptividade dos mesmos ao projeto?

Talvez sejam essas diferenças que tornam nossa experiência mais incrível. Essa troca de realidades, de referências, de conceitos artísticos tem sido muito positivo em todos nossos clipes. E de uma maneira geral, o que ajuda muito é que todos os músicos entendem muito bem o que somos e qual é a nossa proposta: viajar o mundo e produzir clipes em apenas 2 pessoas, com custo zero, em parceria com eles. E quando todos entendem nossos princípios de colaboratividade, ganhamos uma relação super sincera e super íntima com todos eles.

Portugal : Foto por Bruno Simões Castanheira
Portugal : Foto por Bruno Simões Castanheira

Uma das coisas mais interessantes do projeto de vocês é a produção de um “making of vídeo” contando um pouco mais da experiência da produção do clipe da semana em cada um dos destinos. Afinal de contas, qual deles é mais trabalhoso de se fazer, o clipe musical ou making off com vídeos obtidos ao longo de todas semana.

O making of ‘Behind The Trip’ é infinitamente mais trabalhoso do que realizar um clipe. Tanto no processo de captação quanto processo de edição. A Diana é quem cuida de toda nossa história que é contada nesses episódios. Porém, neste produto não temos que dividir com ninguém mais o que queremos fazer. Já no clipe, o processo de criação e concepção da ideia/roteiro é que são mais demorados. São troca de e-mails, conversas, idas e voltas de ideias, etc. Também tem a diferença técnica de um para o outro, pois são produtos diferentes em que a linguagem que os realizamos tem propostas diferentes. Os clipes são filmados com um equipamento de melhor qualidade e que exige um pouco mais de cuidado técnico. O Behind The Trip é filmado com iPhone, que faz ele ter uma linguagem mais informal.

Rússia : Foto por Sergey Krotov
Rússia : Foto por Sergey Krotov

Pingue-pongue de Viagem:

Alguma viagem a vista? Qual seu próximo destino?

Próximo destino Los Angeles. Estamos voltando a América!

 

Quantos países você já visitou?

16 países visitados.

 

Você coleciona algo dos destinos que conhece?

Memórias e amigos. Adoraríamos levar souvenirs e outras lembranças, mas nossas malas viajam no limite do peso.

 

O que te motiva a escolha do destino de viagem?

A cena da música local e a importância artística daquela cidade para o país.

 

Tirando o país que você mora, qual dos países pelos quais você conheceu que você acredita que se adaptaria para morar? Porque?

Não conhecemos a Australia como um todo, mas a cidade que escolheríamos é Melbourne. A cidade é o melhor exemplo de como viver com natureza e o urbano lado a lado. Super aberta para as artes, com um mercado audiovisual e da música muito forte, cosmopolita, viva, saudável e com muita, mas muita oferta de onde se divertir e comer. Aliás, a rede de restaurantes, bares e cafés da cidade está a altura das melhores cidades do mundo nesse quesito, como São Paulo, Nova Iorque e Berlim.

 

O que você viu de mais marcante na última viagem? Onde foi?

Na viagem atual, que termina esta semana aqui em Auckland, o que mais nos marcou foi conhecer uma cidade muito mais cosmopolita do que imaginávamos. A diversidade cultural nas ruas e de todos que vivem aqui com origem asiática, europeia e neozelandeza formam um país muito mais global do que pensávamos.

 

O que não pode faltar na sua mala?

Diana: roupa de corrida e maquiagem

Leo: máquina de cortar cabelo e camisetas branca, preta e cinza.

 

O teletransporte é possível pra você neste exato minuto, e para somente um destino. Para onde você vai?

Diana: Nashville, no estado de Tennessee, onde esse projeto nasceu.

Leo: Praia de Algés, em Lisboa, onde nos despedimos de Portugal assistindo o por-do-sol e nos preparando pra encarar mais 20 países.

Behind the Trip

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1 comentário
  1. Mirella Matthiesen Diz

    INCRÍVEL!!! Esse projeto é lindo …
    E temos algo em comum… amamos a Australia! Vocês Melbourne e eu Brisbane!
    Sucesso pessoal 🙂

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